Adolescentes – Navegação segura por águas desconhecidas

18979051_Ff8vQ

“Mas os adolescentes não são pontes seguras e rígidas, são mais velejadores, a atravessar águas algo desconhecidas, às vezes com dias de sol, outras de brisa ou de chuva; às vezes com mar chão, outras vezes com mais tumulto, às vezes com ventos e marés de feição, outras a velejar com ventos e marés avessas.

Então o que faz falta para que um velejador navegue seguro, alegre e bem disposto?

Falta o vento, com os seus desafios e potencialidades. Falta um bom mar, com desafios “controláveis” (nunca se deve menosprezar a força do mar, mas um mar sempre “chão” também se torna monótono). Falta saber marear e isso, para além das questões técnicas, tem talentos que só se conseguem com anos de experiência de navegação. E depois há o equipamento, há veleiros mais resistentes e veleiros mais bem equipados (leme, velame e partilham para um bom equilíbrio; cartas de navegação para boa informação). Há veleiros mais bem ou mais mal mantidos.

A arrumação a bordo é essencial para boas manobras. A disciplina, as rotinas e uma boa liderança também.

Não menos importante há que saber aproveitar o mar, o sol, a brisa, o convívio com as pessoas e com a natureza.

E por fim é bom saber descontrair e usufruir! No final de cada rota, o veleiro precisa de defesas e cabo de amarração, ou de uma âncora.

Daqui o título: “Adolescentes em navegação segura por águas desconhecidas

Margarida Gaspar Ramos

Disponível em: http://www.coisasdeler.pt/index.php?id_product=264&controller=product

e no wook: http://www.wook.pt/ficha/adolescentes/a/id/17044129

 

 

O professor que aboliu os TPC (e os exames, os chumbos, as campainhas…)

(…)

Foi aí que entrou aquela medida do ‘toda a gente passa’?
Foi aí, foi. Mas essa expressão é de um jornalista, não é minha. É um exagero, embora a retenção hoje seja de facto residual. A questão era: não fazia sentido estar a passar alunos que depois não aprendiam nada. Alguém come um prato de sopa fria? Não. E também não se aprende matéria ‘requentada’. Isto qualquer pessoa percebia que não funcionava. Então porquê insistir numa coisa que não funciona? E os maiores problemas disciplinares vinham precisamente de repetentes. Por isso, usou-se a lógica e o bom senso. E sem nunca fugir à legislação – não temos uma única medida fora da lei – começámos a procurar outras soluções: porque as há, não são é postas em prática. Uma delas foi evitar ao máximo as retenções. Ora não retendo, tínhamos de dar mais apoio para que aqueles miúdos conseguissem acompanhar os outros. Mas não chegava. E havia, na lei, outras opções para eles: cursos profissionais, currículos alternativos, outro tipo de ofertas que podiam estar à disposição. E foi tudo isso que passámos a oferecer, a par de muito mais apoio nas aulas.

Como é que passando um aluno faz diminuir a indisciplina? 
Dantes a mentalidade escolar era esta: se o aluno estuda, ao fim do ano tem um prémio e passa, se o aluno não estuda, ao fim do ano tem um castigo e chumba. O que é que acontece com este esquema: o aluno que chumba, no ano seguinte é o mais velho da sua turma. Tem o poder e a aura dos malcomportados, e torna-se no líder que não era. Depois, já ouviu a maioria das matérias, portanto tem o trabalho facilitado e não se esforça. Pelo contrário, se transitar com os outros, tem de fazer um duplo esforço: o mesmo que os outros, mais o trabalho que deixou para trás. Portanto, não se torna um revoltado, não se torna um líder, e é obrigado a trabalhar mais. Outra coisa que reparámos era que mais de 90% dos problemas disciplinares aconteciam à sexta à tarde, quando os miúdos estavam mais cansados. Por isso, até hoje não temos aulas à sexta de tarde.

(…)”

Entrevista de Catarina Fonseca a Adelino Calado na Activa, vale mesmo a pena ler tudo.

 

 

“A escola não deve ter a melancolia da cadeia. Pestallozi, Froebel, os grandes educadores, ensinavam em pátios, ao ar livre, entre árvores. Froebel fazia alterar o estudo do ABC e o trabalho manual; a criança soletrava e cavava. A educação deve ser dada com higiene. A escola entre nós é uma grilheta do abecedário, escura e suja: as crianças, enfastiadas, repetem a lição, sem vontade, sem inteligência, sem estímulo: o professor domina pela palmatória, e põe todo o tédio da sua vida na rotina do seu ensino.”

Eça de Queirós

Dinheiro vs. Educação

Sobre os temas dinheiro e educação muito mais hei-de escrever mas fica para mais tarde, para já fica uma curta compilação.

Chegaram-me dois conteúdos que aqui deixo…

Primeiro por João Moreira de Sá (Arcebisto) no Twitter:tumblr_inline_nxhyregcno1rkjxcx_500

E depois pela Rute Sousa Vasco no seu poderoso X-Acto

“Esqueçam o Islão, esqueçam as religiões, esqueçam a disputa norte-sul. Vejam só as coisas por este ângulo: estamos todos tão preocupados a discutir dinheiro, bancos, dívidas, estamos tão obcecados com dinheiro e com viver pelo e para o dinheiro que estamos mesmo a jeito para sermos implodidos. Porque é de facto a educação que nos molda, que nos transforma, que nos leva a ser o que somos. E porque não há maior poder do que esse.”

(Vale mesmo a pena ler o resto do artigo)

 

 

Porque a escola faz mal aos nossos filhos

Preocupamo-nos muito em garantir que o ensino, as escolas e os professores estão a ensinar os nossos jovens, mas esquecemo-nos do mais importante… que eles não estão a aprender nada, ou pelo menos nada de útil. Todo o ensino está focado em criar adultos iguais com competências iguais. Todo o sistema de ensino concentra esforços em acabar com a individualidade e criatividade, substituíndo estes por conhecimentos pré-adquiridos por outros… Ensinamos os jovens a usar algoritmos já existentes mas não a criar novos.

Em vez de passarmos 12, 17, ou por vezes mais anos, a tentar injectar-lhes conhecimentos que em 5 minutos eles conseguem encontrar no google, devíamos repensar todo o sistema para os ensinar a pensar, descobrir e definir as suas próprias escolhas. Temos de criar pessoas diferentes, com competências diferentes, para conseguirmos algo diferente do que temos hoje.

Já em 1977 escrevia o Alberto Pimenta…
”(…) a escola não é, como se supõe, o lugar onde se aprende a fazer, mas o lugar onde se aprende a não fazer; a escola, toda a escola, da mais baixa à mais alta, é o lugar onde se assegura a formação contínua duma continuada conformação, onde se aprende o que se não deve fazer e o que se não deve pensar, o que se não pode fazer e o que se não pode pensar; a escola é desde o início o lugar onde se deixa de fazer, onde se deixa de fazer o que é natural fazer e onde se deixa de pensar o que é natural pensar, essa é a escola; na escola se começa a deixar de fazer e se continua a deixar de fazer e cada vez mais de deixa de fazer, até ao ponto de acabar por nada mais fazer senão o que serve à escola, que é o que não serve à vida, e não fazer o que serve à vida, que é o que serve à escola. A escola, toda a escola, desde a geral à especializada, sempre primária sobretudo quando o é superiormente, é um lugar de omissão, de omissão de vida(…)”

O gato da Alice dizia-lhe… “Se não sabes para onde vais, qualquer caminho serve”. Pois o que eu tento dizer é… se empurramos todos os nossos jovens para o mesmo caminho como podemos depois lhes exigir que escolham por si um destino?

Para todos os que partilham desta ideia recomendo que leiam e passem aos vossos filhos o livro… “If You Want to Be Rich & Happy Don’t Go to School”.