Dormir com Lisboa

“Lisboa, acordaste e vestiste um manto de invisibilidade. Escondes-te na névoa densa de uma só cor; este branco não te fica bem.
Lisboa, precisas de te despir, de te dares sem mistério, sem sombras, sem ares de outras capitais cinzentas.
Lisboa volta!
Deixa cair esta brancura que te apaga. Estende-te preguiçosa, sem vergonha de seres quem és, devolve as cores que são só tuas e deixa os barcos beijarem as tuas margens sem os apitos fortes, eles trazem gente que precisa de ver onde põe os pés, sem obstáculos, sem medo, determinados a seguir as suas vidas contigo como porto seguro. Essa ideia de acordar assim, sem brilho, sem a luz aberta da Primavera, o amarelo e rosa dos prédios, o salpicar de tons descarados das sardinheiras nas varandas, o azul do rio e o verde da outra margem, só deixa em ti uma confusão que mistura o branco da calçada com o branco do céu.
Lisboa, esta não és tu.
Pareces uma criança. Se estás arrependida, corrige o teu erro e devolve-nos quem levaste. Se já nada podes fazer, então, não te escondas, revela o que fizeste a essa gente e deixa que te castiguem. Pior de tudo é a tua autopunição, esta espécie de cobardia que te transforma na cidade que não és.”

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Quem quiser comprar o livro terá de o fazer na única livraria portuguesa a ter o mesmo à venda… a Traga Mundos de Vila Real

Infelizmente os nossos irmãos espanhóis tiveram mais olho para a excelência literária da Fausta Cardoso Pereira do que as nossas editoras nacionais, e porque o reconhecimento foi de facto especial, não só a premiaram como editaram o livro também em português 🙂